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Ilha de calor, albedo e impermeabilidade dos solos



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       Conforme Amorim (2020), a ilha de calor é um fenômeno complexo, é resultante da diversidade das paisagens e a intensidade e o horário da ocorrência das ilhas de calor depende da interação entre as características do relevo, da vegetação, condições meteorológicas e das construções. Diante disso, demonstra-se a relação direta entre a forma e o clima, o modo como o homem se relaciona com a natureza influencia diretamente no microclima em que ele vive. 

     Segundo Mesquita (2012), o albedo é inversamente proporcional à capacidade que a superfície tem de absorver o calor. Destarte, um albedo alto é a capacidade de refletir esse calor, essa capacidade de refletir está diretamente ligada à cor desta superfície, daí vemos a grande presença nas grandes cidades da coloração cinza, preto, nos assoalhos das vias, assim como nas vidraças dos prédios. Diante do exposto, quanto mais escuro, mais absorve energia e quanto mais claro, reflete mais e absorve menos calor. 

     A impermeabilidade do solos é a não capacidade que a superfície tem de infiltrar a água, algo bem comum nessas regiões deste recorte espacial feito nesta pesquisa, a predominância do asfalto coloração cinza/preto tomam conta desses espaços, consequentemente não armazena a água da chuva tendo assim uma baixa umidade que na quantidade certa ajuda a diminuir o calor, outra consequência da impermeabilidade é a retirada da vegetação que segundo Jensen (2009), a superfície coberta por vegetação possui maior capacidade térmica e precisa de maior quantidade de energia para que sua temperatura venha aumentar.

    Os países desenvolvidos, assim como os países pobres e os que estão em desenvolvimento, têm aumentado a temperatura nas áreas metropolitanas e passaram a fazer parte das preocupações do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC) (ROSENZWEING et al., 2011). Embora o aumento da temperatura esteja generalizado, alcançando tanto países ricos como países pobres, as consequências desse aquecimento atingem com maior impacto os países mais pobres, pois, conforme Santos (1985), a economia está inserida no espaço, assim como o espaço está na economia. Diante do exposto, tanto o social interfere no clima como o clima interfere no social, contudo, os países mais pobres sofrem mais o impacto da alteração do clima. Segundo Ecodebate (2024), prevê que países mais pobres devido às alterações climáticas sofram uma perda de 60% maior que nos países desenvolvidos. Diante disso, um alerta é dado, pois os países menos desenvolvidos são os que mais serão afetados pelas alterações no clima.

    A radiação refletida por meio das diversas superfícies é variável devido à sua heterogeneidade na paisagem, diferentes superfícies apresentam diferentes albedos, podendo ser para neve 0,95, isto é, valor considerável e para um solo nu molhado 0,05. (Allen, et.al., 1998). Diante do exposto, a problemática da ocupação desordenada desses espaços, sem planejamento ambiental, a densidade populacional, a intensa circulação de automóveis, retirada de cobertura vegetal que pode mitigar o calor por meio da transpiração, a alta impermeabilidade dos asfaltos que diminui consideravelmente a umidade relativa do ar, as vidraças nas janelas dos prédios, a intensa verticalidade que dificulta a circulação dos ventos alterando o microclima, o baixo albedo dos pavimentos que predominam na cor escura tem contribuído de forma significativa para o stress térmico, o alto consumo de energia por meio dos ar-condicionados e ventiladores e outros meios para mitigar o excessivo calor. Por conseguinte, o emprego de determinados materiais nas construções, considerando suas características físicas de refletância, de absorção de calor, pode intensificar os efeitos locais do desconforto térmico.



    A energia solar aquece a superfície e, após aquecida, ocorre a troca de energia e calor com a atmosfera. Diante disso, esse fenômeno, denominado de condução, demonstra o quanto é importante o aprofundamento nos conhecimentos sobre a propriedade dos materiais dos pavimentos que a sociedade utiliza, pois, a depender da permeabilidade, da composição e da cor, poderá influenciar no conforto térmico, na saúde e qualidade de vida das pessoas. A urbanização sem o devido planejamento na impermeabilização do solo, retirada da cobertura vegetal e poluição do ar altera a forma, promovendo microclimas indesejados na escala espacial local. (FEITOSA, 2011). Por isso, é de suma importância a contribuição científica para auxiliar nas políticas públicas, o uso de métodos que venham mitigar os efeitos das ilhas de calor.



     O concreto permeável possui maiores quantidades de poros, que contribuem para melhor infiltração e umidade, sendo assim, no processo de evaporação, diminui a temperatura do ambiente. (LI et al., 2013). No entanto, a impermeabilização dos solos sem o devido comprometimento ambiental tem provocado menor absorção de umidade, ocasionando o fenômeno Ilhas de calor. Segundo Francisco Mendonça e Danni Oliveira et. al,. (2007), a capacidade que os corpos têm de refletir a radiação solar que incide sobre eles, geralmente em porcentagem, varia conforme a cor e a constituição do corpo. Diante do exposto, a predominância dos asfaltos escuros que proporcionam maior absorção de calor e energia, portanto, um baixo albedo em conjunto com baixa permeabilidade do pavimento vem contribuindo como geradores de ilhas de calor nos centros urbanos.


Autor: Moisés Muniz

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